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Aprenda a ser um excelente discussor Timon, Maranhão

A tecnologia, o marketing e a mágica trabalham com a arte de iludir nossos sentidos. Os discursos também, mas neles há um efeito residual que perdura. Nisso concordam desde as celebridades mais descerebradas até acadêmicos reclusos em Oxford.

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Aprenda a ser um excelente discussor

A tecnologia, o marketing e a mágica trabalham com a arte de iludir nossos sentidos. Os discursos também, mas neles há um efeito residual que perdura. Nisso concordam desde as celebridades mais descerebradas até acadêmicos reclusos em Oxford. Aliás, as primeiras são mais divertidas em sua falta de sinapses, que o tom monocórdio, denso e cheio de referências dos segundos.

Os primeiros, quando falam, fazem acreditar em algo que não é real e certamente não existe. Mas, discorrendo "tão verdadeiramente” sobre banalidades necessárias, o povo acredita. Os segundos nos fazem desacreditar dos primeiros e levar em conta aspectos e configurações que nunca antes julgamos possíveis. Como desancam nossas crenças e a “leveza” impudica de nossos assuntos irrelevantes, os achamos uns chatos de galochas. A verdade oscila entre as métricas.

Alguém já disse que na mágica, o que se vê é algo interpretativo, interpolações entre movimentos e expectativas. Falseados pela suspeita lei da causalidade, o cérebro interpreta dados que tem relação com um objeto concreto, imagem ou forma discursiva. Como está acostumado a perceber algo de uma determinada forma, não questiona o que vê ao contrário, se surpreende.  Espera por isso, aliás. A inteligência, em sua função pragmática, nos diz Bergson, atua seletivamente recortando o real. Desta forma aprendemos e também, esquecemos.

Palavras são elementos de encantamento. Fazer mágica com elas é fazer com que as pessoas tenham uma interpretação determinada. O limite entre o real e o ilusório não é simples de estabelecer cartesianamente. Contudo, as palavras ainda guardam algo de seu passado, quando ainda eram os signos das coisas. Assim, elas possuem uma segunda camada, um fundo falso onde pode caber o mundo. Ilusões sonoras ou imagéticas acabam por se fundir numa paisagem neutra, dissolvendo-se no murmúrio anônimo em volta. Mas, frases ecoam durante décadas em nossos corações.

Como isto acontece? De uma forma ou outra, a sentença proferida tem a propriedade de fazer emergir um contexto, uma pré-figuração em nós mesmos. Ali o registro se instala e pode ser acessado sem lapsos de memória. Esta sintonia é tanto maior quanto a capacidade magnética do orador, em fixá-las convenientemente. Como? De acordo com seu conhecimento e, principalmente, sinceridade. Discursos que são totalmente prontos parecem não ter o mesmo efeito, pelo contrário, despertam a suspeita de serem produtos, destinados a convencer. Por isso, são recusados. Podemos oferecer os ouvidos, mas a alma está distante. Se por acaso consumidos, deixam um travo de amargor típico das experiências que não deram certo.

Quem assiste a uma palestra inovadora, volta para casa contente. Outros riem ou se emocionam conforme a personalidade que discursou. Já quem ouve a cantilena batida dos consultores, dorme na poltrona imediatamente. O poder da palavra é a forma de seu presente e, ele tem que ser dado intuitivamente a quem sente. Explicativos e demonstrações são sempre enfadonhos. Por isso, que transmitir conceitos é atividade superior ao show. O conteúdo pirotécnico é entretenimento, a magia se realiza na sincronia e congruência da fala, de quem fala, do que fala e como diz.

Palavras sem espadas, não passam de palavras? Cuidado: Palavras são exatas, demonstram os juízos, também são abismos e confundem os sentidos. Elas são a posse do tudo e do incerto, são flores e espinhos dos nossos desertos. Palavras são eternas no silêncio transparente. Acaso doces, enganam os clientes. Se estiverem soltas darão origem a acidentes. Palavras eloqüentes despertam os censores, o verbo honesto sempre atraiu detratores. Palavras abençoam e traduzem sentimentos. Acompanham o nascimento de nossos sonhos até sua transformação nas mais belas realidades. Palavras bem ditas são a matéria prima das palestras encantadas.

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